Autor: Rafael Peronio Ramos
Intérprete: Paulo Pinheiro
Santiago, 1º de julho de 1994.
“Doze horas e quinze minutos”. As cornetas anunciam. O som característico decreta o início: “você está na Rádio Santiago, credibilidade na informação. Está no ar o Jornal Falado, com notas sociais, utilidades públicas e notícias”.
Naquela sexta-feira de julho, em uma típica cozinha santiaguense, Dona Ana, Seu Francisco e seus quatro filhos se acomodavam ao redor de uma mesa de fórmica azul. No centro, aquele arroz carreteiro fumegante ao lado da jarra de suco de saquinho. Mas quando as notas de abertura do rádio em cima do balcão começaram a tocar, o ambiente mudou.
Fez-se um silêncio absoluto na casa, daquele em que as colheres quase não tocam a louça. Era o respeito herdado. Dona Ana e Seu Francisco já sentavam assim com seus pais décadas atrás. O costume agora se perpetuava no sangue dos filhos, porque ali, naquele rádio, a palavra que seria pronunciada tinha o peso de um documento autenticado em cartório. Se o Jornal Falado dizia, Santiago inteira assinava embaixo.
Pelo alto-falante, a bancada tradicionalíssima – sempre conduzida por dois apresentadores em perfeita sintonia – trazia a vida real em forma de som.
Com sua ética rigorosa, a Rádio Santiago noticiava os fatos como eles eram, servindo de elo para as instituições e para o amparo social. Os âncoras traziam notas religiosas, notas do sistema de justiça, avisos paroquiais e logo emendavam nos avisos de solidariedade que movem o município.
Naquele dia, a Rádio trazia o convite para o almoço beneficente do próximo domingo, no Círculo Operário, reforçando que os cartões ainda estavam à venda e que a renda total seria revertida para o Asilo Santa Izabel. Ouvindo o anúncio, Dona Ana assentiu com a cabeça, sabendo que a solidariedade sempre foi um marco da comunidade santiaguense.
Para coroar o sagrado informativo, o apresentador trazia uma novidade que atiçava os filhos ao redor da mesa, anunciando que a Semana Farroupilha daquele ano viria com uma programação de fechar o comércio e tirar o chapéu no CTG Coxilha de Ronda.
Deixando a comunidade bem informada, nossos âncoras anunciavam que a nova moeda, o Real, passava a circular pelas ruas de Santiago. A população tinha esperança que essas novas cédulas pusessem fim à inflação galopante que, até a véspera, fazia o preço do leite mudar entre a manhã e a tarde nas prateleiras do Supermercado Nacional.
“Doze horas e quarenta minutos. Termina aqui o Jornal Falado, o pioneiro e mais completo informativo da região. Uma nova edição do Jornal Falado amanhã aqui na Rádio Santiago”.
Quando a Rádio Santiago entrou no ar na metade do século passado, ela criou hábitos, rituais, verdadeiros cultos familiares. A Super da comunidade transformou o meio-dia da região centro-oeste do estado e fez do Jornal Falado a maior referência informativa de todo o nosso povo.
No passado, os pais de Dona Ana e do Seu Francisco precisavam ir até os arredores da Praça 15 de Novembro para ouvir as poucas notícias que vinham das cornetas da antiga “Voz Alegre”. Mas a história mudou. Com o Jornal Falado, a comunidade santiaguense ganhou um gigante do jornalismo. Um veículo de vanguarda que transformou a notícia em patrimônio humano, dando voz, vez e dignidade para cada cidadão deste baita chão.
Ali, naquela cozinha de Dona Ana e de Seu Francisco, e em outras tantas mesas de toda a região, as famílias sabiam que cada palavra emitida era dotada de imparcialidade, com apuração criteriosa dos fatos e respeito absoluto ao interesse público.
No decorrer dos anos, as moedas, como a noticiada naquele julho de 1994, mudam até de nome e perdem valor. Mas há uma emissora que não negocia seus princípios, não transige com a verdade e não relativiza os seus valores: a Rádio Santiago. Sua credibilidade segue sendo o seu maior patrimônio.
RÁDIO SANTIAGO 75 ANOS – A COMPANHEIRA DA SUA VIDA.

