O aumento dos casos de obesidade infantil no Brasil tem acendido um alerta entre profissionais da saúde, pesquisadores e entidades ligadas à Nutrição. O cenário está diretamente relacionado ao consumo frequente de alimentos ultraprocessados por crianças e adolescentes, além da redução da presença de alimentos naturais na alimentação, associada à falta de atividade física na rotina das famílias.
Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, apontam que o percentual de jovens entre 10 e 19 anos com excesso de peso passou de 18,27% em 2010 para 33,52% em 2025, evidenciando o crescimento expressivo do problema no país. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também alerta que a obesidade já superou a desnutrição como a forma mais prevalente de má nutrição entre crianças e adolescentes no mundo.
“Os dados são alarmantes e mostram que estamos diante de um grande desafio de saúde pública. A alimentação na infância tem impacto direto no desenvolvimento e na qualidade de vida ao longo de toda a vida adulta”, afirma a presidente do Conselho Federal de Nutrição (CFN), Manuela Dolinsky.
Entre os principais fatores associados a esse avanço está o alto consumo de produtos como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes, macarrão instantâneo, embutidos e bebidas açucaradas. Esses alimentos apresentam elevados teores de sódio, açúcares, gorduras e aditivos químicos, além de baixo valor nutricional, favorecendo o ganho de peso e o desenvolvimento de doenças crônicas ainda na infância.
“O Guia Alimentar para a População Brasileira é uma importante referência nesse contexto, ao orientar a população a basear a alimentação em alimentos in natura e minimamente processados e a evitar o consumo de ultraprocessados. Trata-se de um instrumento estratégico de promoção da saúde, que deve ser amplamente difundido e incorporado no cotidiano das famílias”, destaca Manuela Dolinsky.
“A exposição precoce aos alimentos ultraprocessados influencia a formação do paladar e pode consolidar hábitos alimentares inadequados, que aumentam o risco de obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, câncer e doenças cardiovasculares”, acrescenta.
Outro ponto de atenção é a forte influência da publicidade e das embalagens atrativas voltadas ao público infantil, que estimulam o consumo desses produtos e dificultam escolhas mais saudáveis por parte das famílias.
“É fundamental fortalecer a educação alimentar e nutricional dentro das escolas e no ambiente familiar, incentivando o consumo de alimentos in natura e minimamente processados desde os primeiros anos de vida”, reforça a presidente do CFN.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância do acompanhamento profissional por nutricionistas e do incentivo ao consumo de frutas, verduras, legumes, e alimentos in natura ou minimamente processados como base da alimentação infantil, em consonância com as diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira.

