Dados levantados por Isadora Pretto Reis, bolsista do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIIC/URI), sob orientação do Professor Marcos Vinicios M. Machado, do Curso de Administração da URI Câmpus de Santiago, indicam que um aumento expressivo no custo da cesta básica voltou a pressionar o orçamento das famílias santiaguenses em abril.
No mês, o valor da cesta básica em Santiago passou de R$ 743,23 para R$ 820,65, uma elevação de 10,42% em apenas 30 dias. O avanço representa uma das maiores altas recentes e acompanha a tendência observada em diversas cidades brasileiras.
Entre os produtos que mais pesaram no bolso da população está a batata inglesa, que teve a maior alta percentual do período, passando de R$ 3,86 para R$ 5,07, aumento de 31,35%. A carne também apresentou forte elevação, com alta de 13,71%, seguida pelo tomate (13,06%), banana caturra (12,95%) e leite (11,53%).
Segundo a análise dos dados, fatores como condições climáticas adversas, redução da oferta agrícola, sazonalidade das safras e aumento dos custos logísticos contribuíram diretamente para a pressão sobre os preços dos alimentos.
Apesar da disparada geral, alguns itens registraram queda em abril. A farinha de trigo teve redução de 7,29%, enquanto o arroz caiu 6,31%. Feijão e açúcar também apresentaram pequenas retrações, ajudando a amenizar parcialmente o impacto da inflação alimentar no mês.
O levantamento aponta ainda para o aumento do comprometimento da renda do trabalhador com alimentação básica. Em abril, o salário mínimo necessário estimado para suprir as despesas de uma família chegou a R$ 6.894,31. Já o trabalhador precisou dedicar aproximadamente 111 horas de trabalho apenas para adquirir os produtos da cesta básica.
O comprometimento da renda vem crescendo mês após mês. Em fevereiro, eram necessárias cerca de 98 horas de trabalho para a compra dos alimentos básicos. Em março, o número subiu para 101 horas e, em abril, alcançou 111 horas, evidenciando a perda do poder de compra da população.
Outro dado que chama atenção é que Santiago apresentou custo da cesta básica ligeiramente superior ao registrado em Porto Alegre. Conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a cesta básica na capital gaúcha fechou o mês de abril em R$ 811,82, enquanto em Santiago atingiu R$ 820,65. Em Porto Alegre, o trabalhador precisou dedicar cerca de 110 horas e 11 minutos de trabalho para adquirir os produtos básicos.
O cenário local acompanha a tendência nacional identificada pelo DIEESE. Em abril, todas as capitais brasileiras pesquisadas registraram aumento no custo da cesta básica. São Paulo teve o maior valor do país, com R$ 906,14, seguida por Cuiabá (R$ 880,06) e Rio de Janeiro (R$ 879,03). Já os menores custos foram observados em Aracaju (R$ 619,32), São Luís (R$ 639,24) e Maceió (R$ 652,94).
O impacto da inflação alimentar atinge principalmente as famílias de menor renda, já que os alimentos representam parcela significativa do orçamento doméstico. Em abril, uma família que recebe um salário mínimo passou a comprometer aproximadamente 50,6% da renda apenas com alimentação básica, sem considerar gastos como aluguel, energia elétrica, transporte e medicamentos.

