Agricultura

Conhecida como espanta-pulga, espécie do Pampa pode ser herbicida natural na agricultura

Conhecida como espanta-pulga, espécie é estudada desde 2019 por pesquisadores da Univates, que também avaliam possível função inseticida

Foto: Divulgação

Uma pesquisa gaúcha concluiu que o óleo da planta conhecida como espanta-pulga (Hesperozygis ringens) pode funcionar como herbicida natural contra espécies invasoras, também conhecidas como daninhas. Esse uso beneficia a agricultura ao permitir a redução do uso de insumos químicos sintéticos.

“Essa espécie tem mostrado um potencial herbicida muito significativo. Ela simplesmente mata plantas que são expostas a ela”, afirma a professora Elisete Maria de Freitas, coordenadora da pesquisa, realizada desde 2019 pelo Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade do Vale do Taquari (Univates).

Com cerca de 80cm de altura, a espanta-pulga é endêmica do bioma Pampa — ou seja, só ocorre lá — e pode ser encontrada em cidades como São Pedro do Sul, na Região Central; Caçapava do Sul, na Campanha; e Manoel Viana e São Francisco de Assis, na Fronteira Oeste.


Os pesquisadores já testaram o óleo contra plantas invasoras como caruru, picão e capim-annoni — esta, segundo Elisete, representa hoje um “problema gravíssimo” nos campos do Rio Grande do Sul:

Conforme Elisete, também tem sido testada a emulsão do óleo com algum adjuvante para facilitar a adesão sobre a planta. A ideia é que possa ser comercializada, no futuro, como um produto herbicida.

“Hoje, estamos indo além e pesquisando o óleo com atividades inseticidas. Trabalhamos com outros professores e pesquisadores para também usarmos o óleo com essa finalidade”, acrescenta a pesquisadora.


Segundo ela, testes têm mostrado que, quando for transformado em herbicida, o óleo não será nocivo para abelhas.

Ameaça de extinção
Embora esteja ameaçada de extinção, a espanta-pulga não será colocada em risco por sua exploração econômica, garante Elisete:

“Já testamos a produção de mudas dela a partir de estacas. O fato de ser uma espécie nativa do Pampa reforça a necessidade de cuidar de nossas espécies e animais. Quem aproveita, cuida e explora a sua biodiversidade garante retornos não apenas econômicos”.

Fonte: GZH

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