Com o início de mais um final de semana de previsão de intenso movimento no litoral, impulsionado pelo período de Carnaval, a Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS) reforça o alerta para os cuidados com a pele em situações de contato com água-viva e outros animais marinhos. Além da grande circulação de pessoas nas praias, a elevação da temperatura da água do mar favorece a maior presença de águas-vivas e caravelas-portuguesas ao longo da costa, ampliando as chances de contato e de queimaduras na pele. Diante desse cenário, atenção e informação são fundamentais para prevenir complicações.
“O contato com água-viva pode provocar dor intensa, edema (inchaço), formação de bolhas, prurido (coceira) e até infecções secundárias, em alguns casos com necessidade de antibióticos. Crianças exigem cuidado especial, pois possuem pele mais sensível o que pode resultar em lesões mais extensas e graves. Áreas amplas atingidas, presença de bolhas, dor intensa persistente ou sintomas como falta de ar são sinais de alerta que indicam a necessidade de procurar atendimento médico imediato”, afirma a vice-presidente da SBD-RS, Dra. Cíntia Pessin.
Em casos de contato com água-viva, as orientações corretas de primeiros socorros incluem a aplicação imediata, ainda na praia, de compressas com vinagre ou água do mar gelada, que ajudam a inativar os nematocistos (estruturas responsáveis pela liberação do veneno) e aliviam a dor. O uso de água doce deve ser evitado, pois pode ativar esses mecanismos por osmose, agravando a queimadura. Práticas como aplicação de álcool, urina ou refrigerantes tipo cola também não são recomendadas.
Para outros animais marinhos, os cuidados variam conforme o tipo de acidente. No caso da caravela-portuguesa, as orientações são semelhantes às das águas-vivas, com um alerta importante: não tocar no animal, mesmo quando estiver aparentemente morto na areia, pois o veneno permanece ativo fora da água. Para prevenir acidentes com ouriços-do-mar, recomenda-se atenção ao caminhar em áreas rochosas e o uso de sapatilhas de neoprene ou calçados apropriados para água. Em caso de pisada, a orientação é mergulhar a região em água morna com vinagre por cerca de 30 minutos e remover, com cuidado, os espinhos superficiais visíveis.
Já para evitar acidentes com arraias, a principal recomendação é arrastar os pés no fundo ao caminhar em águas rasas, criando vibrações que afastam o animal, além do uso de calçados adequados. Caso ocorra o ferimento, a área atingida deve ser mergulhada em água quente ou morna por aproximadamente 60 minutos, medida que ajuda a inativar o veneno e aliviar a dor, seguida de avaliação médica para retirada do ferrão e atualização da vacina antitetânica, se necessária. Peixes como o escorpião e o peixe-pedra seguem orientações semelhantes às adotadas para ouriços-do-mar e arraias.
Em caso de dúvidas, suspeita de lesões ou necessidade de avaliação preventiva, procure um médico dermatologista. Os profissionais habilitados podem ser conferidos no site http://www.sbdrs.org.br/

