Rádio Santiago 75 anos

Série “Rádio Santiago – Memórias em Construção” – Episódio 6 – “A esperança sob a sombra do cinamomo”

Autor: Rafael Peronio Ramos

Intérprete: Paulo Pinheiro

Santiago, 15 de janeiro de 1985.

O calor do veraneio convida as famílias a calçarem as alpargatas e levarem as cadeiras para a sombra fresca do cinamomo. O mate vai passando de mão em mão, mas, naquele final de tarde, uma expectativa estava no ar. Uma ansiedade…uma ansiedade que unia o Rio Grande e o Brasil.

Naquele pé de cinamomo, o rádio de pilha da Dona Tânia era o centro absoluto das atenções. Seu esposo, Seu Getúlio, acomodava o neto no colo enquanto mantinha os olhos fixos, compenetrados no aparelho.

A nação vivia um momento histórico: a eleição indireta para a presidência da República, que poderia colocar fim a mais de duas décadas de regime militar.

O nome de Tancredo Neves ecoava de norte a sul como o símbolo da redemocratização, a promessa viva de um novo amanhã.

E a segurança daquela informação, a família da Dona Tânia sabia há muito tempo onde encontrar: na sintonia da Rádio Santiago.

Pelas ondas da emissora da comunidade, os locutores traziam os bastidores fervilhantes de Brasília. Cada votação, cada discurso relevante, cada detalhe daquela transição política era noticiado com precisão e responsabilidade.

A história do nosso Brasil estava sendo escrita, e a Rádio Santiago estava ali, levando a toda a nossa região os fatos da política nacional.

Quando a derrota do candidato do regime foi confirmada…e, consequentemente, a vitória de Tancredo foi anunciada pelo nosso Locutor, um suspiro de alívio e esperança correu pelas ruas de Santiago.

Seu Getúlio marejou os olhos, abraçou a esposa…olhou para o neto, sabendo que aquele guri cresceria em um país diferente. Um país livre.

Dona Tânia esbanjava um ar de profunda esperança.

Esperança por visualizar, em sua mente, o retorno do voto direto para Presidente através das propostas do vencedor. Afinal, por melhor ou pior que possa ser a escolha do eleitor, nada justifica a abolição do voto direto popular. E disso…disso Dona Tânia sabia bem.

Quando pequena, ela escutou muito de sua mãe – a saudosa Dona Julieta -, o quanto foi custosa a conquista do voto feminino no Brasil, obtido depois de muita, de imensa luta. Essa luta histórica não podia ser em vão. Não desta vez.

Ali, sob a sombra do cinamomo, o silêncio de Seu Getúlio, o olhar emocionado de Dona Tânia e o sono tranquilo do neto no colo do avô resumiam o sentimento de uma comunidade inteira. A notícia que saía daquele rádio mudava o destino de suas vidas.

Lá fora, o vento do entardecer começava a soprar, mudando os rumos do país. Mas dentro das casas, nos bairros e no comércio de Santiago, uma certeza permanecia inabalável: as eras mudam, com seus erros e acertos a política se transforma, a história avança…mas a nossa Rádio Santiago continua no mesmo lugar, com os mesmos princípios, valores, e a missão de bem informar e ser a voz do seu povo. Firme, justa e ao lado do cidadão.

O Brasil redescobria a sua democracia. E a Rádio Santiago seguia o seu caminho, construindo pontes, divulgando a informação, sem nunca, jamais, perder a sua essência.

RÁDIO SANTIAGO 75 ANOS – A COMPANHEIRA DA SUA VIDA.

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