Autor: Rafael Peronio Ramos
Intérprete: Paulo Pinheiro
Santiago, meados de 2017.
Os primeiros raios solares nem haviam aparecido quando Cristiane Severo desperta. Antes de encarar a rotina exigente da liderança, há tempo para o afeto mais puro, o bom dia carinhoso à Mia e ao Nadal, seus amorosos gatos.
Após o café e a despedida de seus fiéis companheiros, o destino é a tradicional Rua dos Poetas. É lá que Cristiane encontra Dona Eda. Juntas, duas mulheres que carregam nos ombros o peso e o orgulho de conduzir o maior patrimônio da comunicação santiaguense, partem rumo a Santa Maria.
Na estrada, o velho e companheiro sinal AM 1230 vai encurtando o asfalto dentro do carro. A viagem flui na carona da nossa identidade, ao som do Terra Nativa e na precisão informativa do Olho Vivo. Mas o silêncio que se instala entre um bloco e outro na cabine é o da responsabilidade. Elas sabem que aquela viagem representa muito mais do que um simples passo na longa maratona da emissora.
O destino é a sede da Rádio Medianeira, no coração do Rio Grande. Uma reunião decisiva aguarda as gestoras com o renomado técnico Carlos Roberto Dornelles.
Na mesa, o projeto audacioso que mudará para sempre o alcance e a força do rádio santiaguense: a transição definitiva para a modulação em frequência. O futuro da Rádio Santiago está sendo decidido ali, mais uma vez, em cada detalhe técnico.
A liderança de Dona Eda e Cristiane se faz notar na firmeza das decisões. Elas não buscam apenas trocar de sintonia; buscam perpetuar um legado. São debatidos os novos transmissores encomendados diretamente da tecnologia de ponta de São Paulo. Um transmissor de alta potência e um reserva estratégico, prontos para garantir que a voz da comunidade continue a ecoar por toda a região. Discute-se o ganho na qualidade do áudio, o fim das interferências e a cobertura que abraçará a região com som cristalino.
Com o cuidado de quem pensa no todo, as diretoras determinam uma transição gradativa e respeitosa. Nos primeiros meses pós-migração, a Rádio operaria em simultâneo nas duas frequências. O nosso amigo ouvinte faria a mudança no seu tempo, com conforto e sem perder a companhia de cada dia.
Para sustentar essa nova era tecnológica, a estrutura física precisava acompanhar a grandeza do projeto. É no Parque de Transmissões Jaime Pinto que a engenharia desafia o céu. A nova antena FM é instalada no topo da tradicional estrutura da emissora. São cem metros de puro aço que cortam o horizonte, fincados no solo santiaguense, provando que a voz da nossa terra continua gigante.
Em abril de 2018, as ondas que cruzam o centro-oeste gaúcho ganharam ainda mais clareza, mas o sentimento que vive dentro de cada casa permaneceu intocado. Mudar a frequência jamais significou mudar a essência.
A solidez do jornalismo ético, a rejeição absoluta ao sensacionalismo, o compromisso com a verdade e o respeito às nossas raízes continuaram sendo as colunas de sustentação desta potência.
Aquela despedida da frequência AM guardou o carinho de mais de meio século de histórias divididas. Foram décadas de uma sintonia amável e acolhedora. Dali, a Rádio Santiago carregou o AM impresso como sinônimo de Amor em cada pequeno grande ato voltado à nossa sociedade, impulsionando a emissora rumo ao novo prefixo FM.
Hoje, carregamos com satisfação a frequência FM 90.3. Com os novos transmissores, a tecnologia avançou, o sinal melhorou, mas o propósito segue exatamente o mesmo, ser a voz de Santiago.
É com respeito ao passado e com os olhos corajosos voltados ao futuro que seguimos nossa jornada. Aquele amanhã de 2017 só se transformou em realidade porque, naquela estrada, a visão e a coragem de duas mulheres decidiram o destino da nossa radiodifusão. Foi o pulso firme e a sensibilidade de Cristiane Severo e Dona Eda que guiaram a Rádio Santiago em mais um capítulo decisivo de sua história, mostrando que a autêntica liderança não teme o progresso, pois sabe que a força do microfone sempre estará na verdade de quem fala e no respeito de quem ouve.
RÁDIO SANTIAGO 75 ANOS – A COMPANHEIRA DA SUA VIDA.

