Rádio Santiago 75 anos

Série “Rádio Santiago – Memórias em Construção” – Episódio 17 – O amanhecer de Cinco Estrelas

Autor: Rafael Peronio Ramos

Intérprete: Paulo Pinheiro

Santiago, domingo, 30 de junho de 2002.

O galo cantava, acusando o fim da madrugada. Na sala de Seu José e Dona Patrícia, ninguém sentia frio. A lareira acesa trazia o aconchego necessário; da cozinha vinha o aroma do café passado na hora; e do rádio, a companhia fiel de todas as horas.

Naquela casa, as paixões pelo futebol eram divididas: Seu José e o filho Leonardo eram gremistas. Dona Patrícia e a filha Vitória defendiam o colorado. Mas naquele junho de 2002, o azul e o vermelho se vestiam de verde e amarelo, juntos. Um país inteiro acordava antes do nascer do sol – ou simplesmente nem dormia – para ver e ouvir Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e companhia.

Antes mesmo de a bola rolar no Estádio Internacional de Yokohama, no Japão, a magia do rádio já encurtava os vinte mil quilômetros de distância. Por meio da nossa parceira histórica, a Rede Gaúcha, a Rádio Santiago trazia, direto do outro lado do mundo, o som do futebol. Após o fantasma de 98, nenhuma convulsão ou desconfiança pararia a mística Família Scolari.

O clima de final tomou conta daquela verde e amarela sala de estar. A Rádio Santiago narrava a tensão e a genialidade daquele time letal. Passava pelo drama e pela redenção de Ronaldo que, após duas lesões gravíssimas, ressurgia como fênix diante dos olhos do planeta.

No primeiro gol, o rebote de Oliver Kahn leva ao grito contido na sala de Seu José. No segundo gol, o corta-luz genial de Rivaldo e o chute de chapa do Fenômeno fazem gremistas e colorados se abraçarem por Santiago e região.

Quando o árbitro italiano Pierluigi Collina apitou o fim do jogo e o capitão Cafu ergueu a taça para o mundo, Santiago era um estrondo só.

O orgulho daquela manhã era ainda maior…muito maior…porque dois filhos desta terra estavam em Yokohama. Um, dentro do gramado, e o outro, comandando os bastidores. Dos apenas 94 jogadores brasileiros a ostentar o título de campeão mundial, um deles é o nosso conterrâneo Anderson Polga. Já na cozinha da Seleção, levando o tempero e o afeto de nossa região, brilhava o também santiaguense Jaime Maciel.

Terminado o jogo, o inverno virou carnaval. A nossa reportagem foi às ruas, e o rádio na sala de Seu José transmitia, ao vivo, a catarse de nossa comunidade. O calçadão parou. Um mar verde e amarelo formou um congestionamento histórico que travou por completo a Rua Venâncio Aires e a Getúlio Vargas. Buzinaços, bandeiras ao vento, gremistas e colorados unidos na mais pura e genuína felicidade.

Logo estaremos em 2030, e aquela seleção ainda será nossa última lembrança campeã dentro das quatro linhas. Fora do gramado, nas vitórias e derrotas, a companhia segue a mesma.

A Rádio Santiago estava na sala com o Seu José vibrando no radinho; estava na cozinha da Dona Patrícia acompanhando no cafezinho; e estava, com a nossa reportagem, no meio do povo, diretamente do calçadão, trazendo o barulho e a alegria da nossa gente. O hexa pode não ter vindo em 2026, mas a emoção que só o rádio transmite permanece soberana.

RÁDIO SANTIAGO 75 ANOS – A COMPANHEIRA DA SUA VIDA.

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