A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Santiago, com o apoio da DRACO de Pelotas e da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, através da Inspetoria Veterinária – Supervisão Regional de São Luiz Gonzaga, deflagraram na manhã de hoje (21/10/2026) a Operação Apropriare. A ação investiga o desvio de um rebanho bovino pertencente a um produtor rural de 91 anos.
Diante do apurado, a Polícia Civil representou judicialmente por diversas medidas cautelares, as quais restaram integralmente deferidas pela Vara Criminal da Comarca de Santiago.
Na manhã desta quarta-feira (21) foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, sendo quatro em Santiago e um em São Vicente do Sul. Na ocasião foram apreendidos 400 animais bovinos, uma camionete Toyota/Hilux, bem como sequestrado um imóvel rural. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e criptoativos dos investigados.

Como começou
A investigação iniciou após comunicação da própria vítima. Os registros oficiais do produtor na Seapi indicavam um rebanho de 4.793 bovinos. Uma contagem física nas propriedades encontrou apenas 2.405 animais, um déficit de 2.388 cabeças. Pelo valor médio de mercado, o prejuízo pode ultrapassar R$ 11 milhões. Segundo a Polícia Civil, o principal investigado é um ex-gerente das propriedades rurais, que administrou o rebanho entre 2016 e 2025. Ele foi demitido após a constatação do desfalque.
A análise de Guias de Trânsito Animal (GTAs), notas fiscais e dados bancários obtidos com autorização judicial apontaram indícios de:
* Transferência de animais dos registros da vítima para o cadastro de produtor de um familiar do investigado, instalado dentro da própria propriedade da vítima, sem pagamento correspondente;
* Lançamento de nascimentos de terneiros em cadastros dos investigados no mesmo dia em que os animais eram transferidos para outra propriedade;
* Notas fiscais de vendas de gado sem nenhuma movimentação financeira correspondente entre as partes.
Patrimônio incompatível
A investigação apontou ainda a compra de uma caminhonete em janeiro de 2026 e de uma área rural em Santiago em julho de 2026. No imóvel, o valor declarado em escritura foi de R$ 50 mil. Os extratos bancários, porém, indicam pagamentos de R$ 179 mil ao vendedor. A diferença levou a polícia a investigar também o crime de falsidade ideológica.
Ao todo, seis pessoas são investigadas. Elas podem responder, na medida de sua participação, por apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A investigação continua para identificar o destino dos animais e de outros bens.
Fonte: Polícia Civil RS

