Rádio Santiago 75 anos

Série “Rádio Santiago – Memórias em Construção” – Episódio 7 – O amor que move

Autor: Rafael Peronio Ramos

Intérprete: Paulo Pinheiro

Santiago, segunda-feira, 23 de junho de 1986.

A semana começa; o inverno traz seu ar mais gélido. Pela “altura” da Ponte Seca, uma jovem mulher aponta. Vem em passos rápidos. Vai passando de empresa a empresa, rua após rua, carregando no peito o amor e o selo Rádio Santiago de qualidade.

Com o mesmo entusiasmo de sempre, ela entra na loja que há oito anos visitava. Oito anos. Oferecia ali seus horários mais nobres de publicidade. Nas visitas anteriores, a grande empreendedora, do outro lado da mesa, a ouvia, refletia…e recuava. Nas décadas de 70 e 80, o município crescia, mas talvez ainda não fosse a hora certa para aquela propaganda. Tudo bem. A “nossa” jovem senhora jamais esmorecia.

Os “nãos” ouvidos eram o combustível para aquela mulher destemida voltar até a Rádio e, dia após dia, acrescentar um tijolinho na base que sustenta a emissora. Cada recusa a fazia acordar com mais energia para defender, com aquela paixão que lhe é peculiar, o que cuidava como um filho: a Rádio Santiago.

Líder nata e vendedora de coração, ela sempre tratou a todos com o mesmo respeito e consideração, houvesse um “sim” ou um “não” pelo caminho.

Dona de uma fé inabalável e de uma esperança alvissareira, ela sentia que aquela segunda-feira seria diferente. E foi. Depois de oito anos de persistência, guiada pelos valores que trazia consigo, a “nossa” jovem mulher ouviu, finalmente, o “Sim”. A parceria estava sacramentada.

O tempo passou…quatro décadas depois daquele “sim”, a empresa permanece fiel, anunciando sem interrupção nas ondas da emissora da comunidade.

A receita de sucesso estava formada. A Rádio age com princípios, ouve e dá voz ao seu povo que confia no que está ouvindo; a empresa investe, as vendas do anunciante se multiplicam, o município avança.

Nos bastidores de uma rádio, antes de tudo ir ao ar, há muito trabalho. Parece fácil. Não é. Mas, inegavelmente, há pessoas que tornam as coisas mais fáceis.

A “nossa” jovem mulher encontra tempo para tudo. Está na rua, mas também está na nossa emissora. O amor a move. Amor pela venda, pela publicidade, pela comunicação, mas, sobretudo, amor em ver bem as pessoas e a comunidade em que ela vive.

Quando não está mostrando a repercussão do programa adequado para a empresa certa, essa mulher está liderando. Ela lidera pelo exemplo, gere pessoas, forma um time – mais do que isso, uma família. Ouve os medos, acolhe os erros e comemora a vitória dos outros.

Embora seja formada em Letras, é na Faculdade da Vida, da generosidade, que esta mulher é laureada. Enquanto muitos diplomados olham apenas para planilhas, “nossa” mulher enxerga o ser humano. Seu jeito único e inexplicável leva adiante a credibilidade de uma fortaleza chamada Rádio Santiago.

O nome daquela jovem senhora? Clara Eda Peronio Ramos.

Nas palavras da nossa eterna Diretora Ieda Severo Pinto, “a Eda é a alma da Rádio Santiago”.

A Clara Eda Peronio Ramos, ou Dona Eda, como a conhecemos, é fonte de inspiração para todos. Sua energia contagia. Com seu jeitinho simples, onde ela toca dá resultado. Quem vai junto com ela, prospera.

Se hoje as empresas batem na porta da Rádio Santiago procurando pelos espaços mais disputados da programação local, é porque alguém plantou com dedicação, regou com carinho e cultivou com desprendimento.

Nem sempre foi assim. Quando tudo era mato, a Dona Eda era vista do Alto da Boa Vista ao trevo da Braspelco, do Posto do Batista à saída para São Chico…tudo a pé, no verão escaldante, no inverno rigoroso, no estilo faça chuva ou faça sol. Se hoje a realidade é distinta e inúmeros anunciantes são parceiros de longa data, lá atrás houve muito suor e comprometimento, mas, sobretudo, amor pelo que se faz.

Agora compreendemos ainda mais a genialidade de Jaime Medeiros Pinto. A aposta dele naquela menina de 16 anos de idade, lá em 10 de maio de 1966 – data em que a Dona Eda entrou na Rádio Santiago para fazer história -, levou adiante a missão da nossa emissora por todas essas décadas. O resto é lenda viva.

Sessenta anos depois, e enquanto Deus permitir, a Dona Eda, hoje ao lado da determinada Cristiane Severo, conduz a força da Rádio Santiago. Seja na rua vendendo publicidade, seja na Rádio regendo pessoas, é na sua segunda casa que o olho brilha mais forte e que a hoje senhora Dona Eda volta a ser menina.

Os passos podem não ser tão ágeis quanto os daquela jovem mulher cruzando a Ponte Seca e desbravando Santiago, mas a paixão por gerir, por comunicar e por vestir a camiseta da Rádio Santiago, essa…ah, essa…é a mesma todos os dias, sessenta anos depois.

RÁDIO SANTIAGO 75 ANOS – A COMPANHEIRA DA SUA VIDA.

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