As facções Bala na Cara e Os Manos foram alvo da Operação Rasante nesta quinta-feira, mirando a entrega de ilícitos em presídios na Região Carbonífera. Segundo o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), um esquema de drones transportava celulares e drogas aos apenados, servindo ainda ao envio de armas. Foram presas 21 pessoas.
Os trabalhos do Denarc decorrem de uma ação da DP de Charqueadas, sob o comando do delegado Marco Schalmes, que prendeu o maior operador de drones do município, no ano passado. Tal suspeito seria responsável por mais de 20 voos, com foco na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), embolsando R$ 5 mil por cada “serviço” que fazia.
Após quebra de sigilo telefônico, foi descoberto um esquema composto por “droneiros”, com financiamento do tráfico. Parte do grupo era responsável por aquisição, customização, pilotagem e adaptações de drones, incluindo aumento do alcance e capacidade de carga da tecnologia. Outros suspeitos faziam transporte, preparação de cargas e suporte em campo, garantindo a execução das ações durante a madrugada.
Também foram apreendidos drones, evidenciando o padrão de voos na trajetória em unidades prisionais e a repetição sistemática dos pontos de decolagem no entorno. Em celulares, havia diálogos com planejamento de tarefas, estabelecendo rotas, janelas de voo, quantidade de carga e estratégias de mitigação dos riscos. As conversas demonstravam o conhecimento dos operadores sobre altitude, interferência de sinal, autonomia de bateria e condições climáticas, evidenciando a profissionalização da atividade criminosa.
A Polícia Civil indica ainda a participação de apenados no comando do esquema. Eles seriam responsáveis por demandar entregas, coordenar o recebimento das cargas e gerir a distribuição interna de ilícitos, mantendo conexão permanente entre o ambiente externo e o sistema prisional.
No âmbito financeiro, as apurações localizaram movimentação superior a milhões de reais, com fracionamento de quantias, circularidade de recursos e utilização de contas de terceiros. Os lucros eram reinvestidos na compra e manutenção de drones e componentes eletrônicos de alto custo.

