A cesta básica do trabalhador de Santiago encerrou o mês de dezembro com leve variação e custo final de R$ 691,69, indicando um cenário de relativa estabilidade nos preços dos alimentos essenciais. O levantamento foi realizado por Isadora Pretto Reis, bolsista do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIIC/URI), sob orientação do Professor Marcos Vinicios M. Machado, do Curso de Administração da URI Santiago.
Mesmo diante do aumento natural do consumo típico do período de festas de fim de ano, os itens que compõem a cesta não registraram altas significativas, mantendo o custo dentro do esperado para a região. Ao todo, foram avaliados 13 produtos considerados fundamentais para a alimentação básica do trabalhador.
Entre os itens que mais impactaram o valor total da cesta estão a carne bovina (patinho), com custo de R$ 295,67, a banana caturra (R$ 79,83), o pão francês (R$ 42,78) e o leite integral (R$ 25,90). Esses produtos possuem maior peso no orçamento familiar devido ao elevado consumo ou ao preço unitário mais alto.
Apesar disso, a maior parte dos alimentos apresentou preços estáveis ao longo do mês. Produtos como arroz, feijão, batata inglesa e tomate contaram com boa oferta no mercado, o que contribuiu para evitar reajustes expressivos. A maior disponibilidade de alimentos in natura no final do ano, favorecida por safras positivas e condições climáticas regulares, também colaborou para conter aumentos.
Os produtos industrializados da cesta, como açúcar, óleo de soja e manteiga, igualmente apresentaram pouca variação de preços. Esses itens, em geral, possuem valores mais previsíveis e menor sensibilidade às oscilações sazonais da produção agrícola, reforçando o cenário de estabilidade observado no período.
Variação dos preços no período
Entre as maiores altas de preço, destacam-se:
- Batata inglesa (branca): aumento de 14,90%, reflexo de fatores sazonais e possível redução de oferta;
- Tomate: alta de 12,09%, comportamento comum em produtos sensíveis ao clima e à logística;
- Óleo de soja: elevação de 11,59%, possivelmente associada a custos industriais e de insumos agrícolas.
Já as maiores quedas de preço foram observadas em:
- Arroz T1: redução de 5,52%, indicando maior estabilidade produtiva ou ampliação da oferta;
- Carne bovina (patinho): queda de 4,12%, sugerindo ajustes no mercado de proteínas;
- Manteiga: retração de 2,77%, contribuindo de forma moderada para aliviar o custo total da cesta.
Impacto no orçamento do trabalhador
Considerando a jornada legal de 44 horas semanais, equivalente a 220 horas mensais, o valor da hora trabalhada em 2025 corresponde a R$ 6,90. Com base no custo da cesta básica apurado em dezembro, estima-se que o trabalhador santiaguense precise dedicar cerca de 100 horas de trabalho por mês para adquirir apenas uma cesta básica — o que representa quase metade da jornada mensal.
Além disso, com base no preceito constitucional de que o salário mínimo deve atender às necessidades básicas de uma família composta por dois adultos e duas crianças, o DIEESE estima que o salário mínimo necessário em dezembro de 2025 deveria ser de R$ 5.810,88, aproximadamente quatro vezes o valor vigente.
Os dados evidenciam o peso significativo que a alimentação exerce sobre o orçamento das famílias de menor renda. Mesmo com relativa estabilidade nos preços, a cesta básica continua absorvendo uma parcela expressiva das horas trabalhadas no mês, demonstrando que o salário mínimo ainda enfrenta desafios para cumprir plenamente sua função constitucional de garantir condições dignas de subsistência.

