Economia

Alimentação pressiona orçamento familiar de Santiago; tomate e feijão foram vilões da cesta básica

Foto: Divulgação

A partir de dados levantados por Isadora Pretto Reis, bolsista do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIIC/URI), sob orientação do Professor Marcos Vinicios M. Machado, do Curso de Administração da URI Santiago, a cesta básica apresentou estabilidade em janeiro, com alta leve de 0,37% em relação a dezembro.

O kit de alimentos passou de R$ 691,69 para R$ 694,23, obtendo um acréscimo de R$2,54. Apesar do resultado discreto, o mês foi marcado por diferentes movimentos entre os itens: enquanto o tomate teve um salto expressivo, outros alimentos importantes registraram queda, ajudando a conter o avanço do custo total. Embora o reajuste mensal tenha sido moderado, o valor mantém a cesta básica muito próxima da marca de R$ 700, aumentando o orçamento das famílias santiaguenses.

A virada do ano foi acompanhada por alterações nos valores dos alimentos mais presentes na rotina das famílias. A comparação entre dezembro e janeiro mostra diferentes cenários: alguns itens registraram aumentos significativos, enquanto outros apresentaram queda acentuada, refletindo diretamente no planejamento financeiro doméstico.

Entre os itens que mais pesaram o bolso do consumidor, o tomate lidera com folga: alta de 21,26%, passando de R$ 4,61 para R$ 5,59. A variação é típica de períodos de menor oferta e recoloca o produto como um dos mais voláteis da cesta. Na sequência vem o feijão, com aumento de 6,34%, e o leite, que subiu 4,35%, decorrente dos custos de produção e transporte.

De forma moderada, outros produtos também registraram alta, como a carne que avançou 1,85%, a farinha de trigo com aumento de 1,75%, e a manteiga de 1,62%.

Por outro lado, algumas quedas ajudam a aliviar o impacto geral. O café teve o recuo mais intenso, com – 6,73%, seguido pelo pão francês que caiu – 6,43%. Já a banana caturra teve redução de – 5,52% e a batata inglesa de – 3,46%. Até itens mais estáveis entraram na lista das quedas, como o óleo com – 1,95%. No meio das variações, um exemplo de estabilidade: o arroz manteve exatamente o mesmo preço entre dezembro e janeiro, sem qualquer variação.

O levantamento indica que, embora alguns produtos tenham registrado aumentos significativos, especialmente no setor de hortifrúti, também foram observadas quedas relevantes em itens de consumo amplo, resultando em um cenário relativamente equilibrado para o consumidor. Para quem acompanha o custo da alimentação, observar essas variações é fundamental, pois elas revelam como mudanças pontuais contribuem para a dinâmica mensal da inflação percebida em feiras e supermercados.

Considerando a jornada legal de 44 horas semanais, totalizando 220 horas mensais, o valor da hora trabalhada equivale a R$ 6,90. Com a cesta básica apurada em janeiro de 2026 fechando o valor de R$ 694,23, calcula-se que o trabalhador precisaria dedicar cerca de 100 horas de sua jornada mensal para adquirir apenas uma cesta básica. Com base no custo da cesta e no preceito constitucional de que o salário mínimo deve atender às necessidades básicas de uma família (dois adultos e duas crianças), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) estima que o salário mínimo necessário em janeiro de 2026 deveria ser de R$ 5.832,21 — cerca de quatro vezes o valor atual.

Esses dados evidenciam o peso significativo que a alimentação exerce sobre o orçamento do trabalhador de baixa renda. Quase metade das horas trabalhadas no mês é direcionada apenas para a aquisição dos itens essenciais previstos na cesta básica, demonstrando como o salário mínimo, mesmo ajustado pela política de valorização, ainda enfrenta desafios para cumprir plenamente sua função constitucional de assegurar condições dignas de subsistência.Fonte: Andressa Marin com informações do Curso de Administração

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