Um levantamento feito por Zero Hora indica que sete mulheres foram assassinadas por razões de gênero no Estado desde o início de 2026. Ou seja, faltando 11 dias para o encerramento de janeiro, o Rio Grande do Sul já superou o número de feminicídios registrados em todo o mês de dezembro. Em dezembro de 2025, foram contabilizados seis casos pela Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP).
Em média, isso significa que uma mulher foi morta por violência de gênero a cada 2,85 dias — ou 68 horas — no RS de 1º de janeiro até esta terça-feira (20).
Dos sete casos, dois aconteceram na zona sul de Porto Alegre. Em ambas as ocorrências, as vítimas foram mortas com golpes de faca. As motivações destes assassinatos são apontadas como impasses de relacionamento ou não aceitação do fim da relação.
Violência estrutural e ausência de denúncias
Em 2025, 80 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado, um aumento de 10% em relação a 2024, quando foram contabilizados 73 assassinatos com motivação de gênero. O resultado do ano passado reverte uma tendência havia pouco iniciada, e que durou três anos de queda (em 2022, foram 111). Ainda assim, o patamar significa uma redução do pior ano da série histórica, 2018, quando 116 foram vítimas deste crime.
Onde pedir ajuda em casos de violência contra a mulher
Brigada Militar – Ligue 190
Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
Delegacia Online
É possível registrar o crime pela Delegacia Online da Mulher, sem ter que ir até a delegacia, e também solicitar medida protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Ministério Público
O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior.
Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site.
Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556
Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.
Escuta Lilás — Disque 0800 541-0803
Canal de escuta às mulheres prestando orientação jurídica, psicológica e social. Segunda à sexta, das 8h30min às 18 horas.
Como solicitar a medida protetiva online
• A vítima deve acessar o site da Delegacia de Polícia Online da Mulher, registrar a ocorrência pela internet e preencher um formulário de avaliação de risco;
• A mulher pode solicitar medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha – como afastamento do agressor da residência, proibição de aproximação, restrição de porte de arma, entre outras;
• Um filtro de urgência será aplicado ao caso, que será direcionado aos plantões policiais do Estado;
• A ocorrência e o pedido de medidas protetivas são encaminhados em até 48 horas ao Poder Judiciário, que deve decidir em até outras 48 horas;
• A vítima receberá confirmação do protocolo, explicação do fluxo e orientação para procurar um local seguro enquanto aguarda a decisão;
• No caso de concessão da medida, um oficial de Justiça intima o agressor;
• A Polícia Civil e a Brigada Militar são informadas e passam a fazer monitoramento a distância, aguardando informações do Poder Judiciário ou da própria vítima e familiares em relação ao descumprimento da medida. Também há o monitoramento eletrônico com tornozeleiras – hoje há cerca de 300 agressores monitorados no RS;
• Se o agressor desobedecer a medida (por exemplo, se aproximar da vítima), pode vir a ser preso em flagrante.
