O coração dispara, a respiração muda e surge a sensação de que algo está errado. Diante desses sintomas, é comum surgir a dúvida: trata-se de uma crise de ansiedade ou de um ataque de pânico? Embora as expressões sejam usadas como sinônimos, elas não têm o mesmo significado clínico.
Segundo a neuropsicóloga Luanda Rosa, @luandarosa.neuroposicologa, o ataque de pânico é caracterizado por uma elevação súbita de medo ou desconforto intenso, que atinge seu pico em poucos minutos. Já a expressão “crise de ansiedade” é utilizada popularmente para descrever diferentes experiências de intensificação da ansiedade, sem uma definição diagnóstica única.
“Uma lista de sintomas não é suficiente para identificar o que está acontecendo. Precisamos entender como o episódio começou, em que contexto apareceu, se já ocorreu antes e quais consequências trouxe para a vida da pessoa”, explica Luanda.
Como reconhecer um ataque de pânico
O início costuma ser abrupto. Em poucos minutos, podem surgir palpitações, suor, tremores, falta de ar, sensação de sufocamento, tontura, náusea, formigamento e dor no peito. Também podem ocorrer medo de morrer, de perder o controle ou sensação de estar desconectado do próprio corpo.
O episódio pode aparecer sem um motivo evidente ou em situações específicas. Portanto, ter um gatilho reconhecível não exclui a possibilidade de pânico. A duração varia, e alguns sintomas podem persistir depois que a intensidade principal diminui.
“O medo pode se concentrar nas próprias sensações físicas. A pessoa percebe o coração acelerado, interpreta isso como um perigo imediato e fica ainda mais assustada. A experiência é real e não deve ser tratada como exagero”, afirma Luanda.
O que costuma ser chamado de crise de ansiedade
A expressão frequentemente descreve um aumento de preocupação, tensão e desconforto diante de cobranças, conflitos ou incertezas. Esse mal-estar pode se intensificar gradualmente, acompanhado de inquietação, pensamentos repetitivos e sintomas físicos. Mas, como não há critérios únicos para o termo, essa evolução não é uma regra para todos os casos.
Na prática, não é seguro concluir que uma crise é “apenas ansiedade” porque começou após uma situação estressante. Tampouco a intensidade, sozinha, permite definir um ataque de pânico.
“Não existe uma competição entre sofrimentos. Uma ansiedade que se prolonga e limita a rotina também precisa de cuidado, mesmo quando não assume a forma de um ataque de pânico”, diz a neuropsicóloga.
Como ajudar durante o episódio
Deixar de sair sozinho, evitar deslocamentos ou abandonar atividades por medo de passar mal são mudanças que devem ser relatadas ao profissional de saúde.
Se a pessoa já passou por avaliação e reconhece os sintomas, quem está próximo pode oferecer companhia, falar com calma e perguntar o que costuma ajudá-la. Cobranças para “se controlar” ou “parar de pensar nisso” não substituem o acolhimento.
“Em vez de discutir se há motivo para sentir medo, é mais útil dizer: ‘Estou aqui. Como posso ajudar?’. Também é importante respeitar o espaço da pessoa e não impor contato físico”, orienta Luanda.
Dor no peito, dificuldade importante para respirar ou perda de consciência exigem atendimento de urgência. Esses sinais não devem ser atribuídos automaticamente à ansiedade, sobretudo quando são novos ou diferentes dos episódios anteriores. Condições médicas podem apresentar sintomas semelhantes.
Tratamento vai além de interromper a crise
Quando os episódios se repetem ou passam a limitar a vida, a avaliação investiga o histórico, os sintomas, possíveis condições físicas e o uso de medicamentos ou substâncias. O tratamento pode incluir psicoterapia, especialmente terapia cognitivo-comportamental, e medicação prescrita por médico, conforme o caso.
“O objetivo não é apenas atravessar o episódio. É compreender o que está acontecendo e evitar que o medo de uma nova crise passe a organizar toda a rotina”, conclui Luanda.