Autor: Rafael Peronio Ramos
Intérprete: Paulo Pinheiro
Santiago, quarta-feira, 1º de julho de 2026.
Próximo das duas horas da tarde, uma rotina se repete na sala de casa de Aline. A pequena Malu, uma Shih Tzu de seis anos, levanta-se e devagar se acomoda sobre o tapete, bem ao lado da mesinha onde repousa o rádio.
Aline se alegra com a cena enquanto traz o chá para acompanhar aquele pacote de cueca virada. Malu não olha o relógio, mas o instinto animal não erra. Ela percebe o afeto antes mesmo que ele se transforme em som. A cachorrinha parece adivinhar a ternura vinda do outro lado.
Quando a vinheta toca, o clima se transforma. No comando do “Tá em Casa”, a jornalista Ieda Beltrão acolhe a audiência com a leveza e o carinho que lhe são próprios. Aline e Malu sentem-se, literalmente, em casa, no aconchego do lar.
É um espaço de prosa boa, onde o cuidado, o respeito e o amor pelos animais têm a sua vez. Mas o “Tá em Casa” também é o refúgio onde a arte, a literatura e a memória da nossa terra encontram morada.
Logo depois da abertura, Ieda conduz o programa por uma viagem fascinante ao lado do convidado do dia, o historiador Fábio Monteiro. O assunto resgata os anos cinquenta e sessenta na região, tempo em que a Rádio Santiago nascia para mudar a vida no município.
A conversa evoca a era romântica em que os ouvintes deixavam bilhetes em uma caixinha na Rádio Santiago para pedir músicas e mandar recados. Recorda as vozes inesquecíveis que marcaram época e a passagem de ícones da música brasileira pelos microfones da emissora, como Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira e o rei do baião, Luiz Gonzaga, que encantavam a cidade hospedados no tradicional Hotel Viero.
Ieda e Fábio relembram o tempo em que Túlio Piva apresentava o programa “Sambas Brasileiros” e em que Jaime Medeiros Pinto abria as portas para a música nativista, fincando as raízes do tradicionalismo na nossa programação. Mais do que entreter, a emissora ajudava a construir a história de Santiago.
Foi pela força dos editoriais e pela voz eloquente de Jaime, unindo lideranças locais para cobrar autoridades até o encontro com o presidente João Goulart, que a Rádio Santiago liderou as campanhas “Água para Santiago” e “Luz para Santiago”, trazendo o progresso e acendendo a dignidade em cada canto do nosso chão.
Ao resgatar essas memórias, o “Tá em Casa” reafirma a vocação da Rádio Santiago como guardiã da cultura, da história e do patrimônio afetivo do nosso povo. Ieda Beltrão dá espaço para cada história com a sensibilidade de quem sabe registrar o essencial – uma imagem tão expressiva quanto as fotografias que ela eterniza através das lentes da sua Canon.
Naquela tarde, na sala de Aline e de sua fiel companheira Malu, a Rádio Santiago informou, abraçou o presente e homenageou o passado.
Esse é o encanto que eleva a rotina a momentos inesquecíveis. Como escreveu o ilustre escritor santiaguense, Caio Fernando Abreu: “Que seja doce o modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto”. E na sintonia do “Tá em Casa”, a Rádio Santiago continua caminhando e renovando essa doce forma de abraçar a nossa gente.
RÁDIO SANTIAGO 75 ANOS – A COMPANHEIRA DA SUA VIDA.
