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Série “Rádio Santiago – Memórias em Construção” – Episódio 3 – “A Voz que se recusou a Silenciar”

Série “Rádio Santiago – Memórias em Construção” – Episódio 3 – “A Voz que se recusou a Silenciar”

Autor: Rafael Peronio Ramos

Intérprete: Paulo Pinheiro

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Santiago, maio de 1969. As folhas amareladas começam a cair, o clima ameniza, o vento minuano anuncia o primeiro frio do outono.

Dentro de casa, Dona Catarina pede silêncio. Seus três filhos – Cássia, Sérgio e Rita – prontamente a obedecem.

Na casa ao lado, a mesmíssima situação ocorre. Na família Silva, dois quarteirões dali…idem.

Havia um fato comum, quase um ritual unia a cidade inteira naquele instante: Jaime Medeiros Pinto subia o tom para narrar o seu editorial. O editorial da Rádio Santiago.

A cidade parava. Santiago parava para escutar a voz assombrosa, firme e corajosa do fundador da nossa emissora.

Certa feita, ouviu-se falar que o Corpo de Bombeiros de Santiago iria fechar, em razão dos parcos recursos disponíveis. Com sua lábia natural, o destemido Jaime bradou no microfone. Defendeu a instituição com unhas e dentes e conclamou as autoridades locais para lutarem pela permanência daquela corporação…dada a importância vital para um município que estava em franco desenvolvimento.

O resultado? Em pouco tempo, o Corpo de Bombeiros de Santiago não só permaneceu aberto. Ele cresceu. Aumentou exponencialmente de tamanho, prestando um serviço de relevante valor ao município. Hoje, aquela imponente estrutura atende com orgulho Santiago e todas as cidades vizinhas.

Mas Dona Catarina, os vizinhos e a família Silva talvez não imaginassem o preço daquela coragem.

Bem ali, no recuo do estúdio, junto à sala em que Jaime Pinto declamava o Editorial da Rádio Santiago, a liberdade era vigiada de perto.

Um militar armado acompanhava, em tempo integral, cada palavra que saía pelos microfones da emissora da comunidade. O contraste era violento: a farda verde-oliva rigidamente passada, o coldre de couro escuro na cintura e o som seco do coturno militar marchando pelo piso da Rádio Santiago.

Era maio de 1969, não esqueçamos. Poucos meses antes, o Ato Institucional nº 5 havia sido promulgado no país.

Aquela situação…inaceitável em uma nação cuja imprensa livre é um dos pilares fundamentais da fiscalização do poder público, do direito à informação e instrumento de divulgação dos diferentes grupos sociais…aquela sombra não foi capaz de intimidar. Não foi capaz de paralisar. Não a Jaime Medeiros Pinto.

Com seu discurso eloquente, Jaime continuou traduzindo no microfone a voz e os anseios mais profundos dos ouvintes e da comunidade local. Foi voz, enquanto o silêncio era imposto Brasil afora.

Diante dos maiores desafios, Jaime resistiu, seguiu…prosseguiu.

A família de Dona Catarina, a vizinhança inteira e a família Silva, felizmente, não faziam silêncio por medo da farda, do gélido metal ou da munição. A calmaria observada dentro daquelas casas tinha outro motivo, muito mais nobre: o respeito ao editorial da Rádio Santiago, na voz inesquecível de Jaime Medeiros Pinto.

RÁDIO SANTIAGO 75 ANOS – A COMPANHEIRA DA SUA VIDA.

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