Autor: Rafael Peronio Ramos
Intérprete: Paulo Pinheiro
Santiago, domingo, 20 de março de 2021.
O calendário marca o auge de um dos períodos mais críticos da pandemia. Pelos corredores do Grupo Hospitalar Santiago, o ritmo é acelerado, ditado pelo monitoramento constante e tenso dos leitos.
Em um desses leitos, o olhar sereno de Dona Regina desafia a gravidade da situação. O diagnóstico positivo da Covid-19 havia comprometido parte de seus pulmões, exigindo a internação imediata.
Para quem estava acostumada a começar todos os seus domingos na Igreja Matriz, aquele isolamento era o maior dos testes. Mas onde o corpo encontrava limites, a fé desconhecia barreiras.
Logo depois de abrir os olhos, Regina visualiza a presença da técnica de enfermagem, que administrava os medicamentos junto ao soro com a delicadeza de quem carrega a esperança nas mãos.
Ao seu lado, o abraço constante do filho, um privilégio garantido pela sensibilidade e pelas regras de humanização do Hospital, sustenta o ambiente. O cenário é de batalha, mas a atmosfera é de união e oração.
O sino da Matriz bate, são nove horas da manhã. A mão do filho sintoniza a Rádio Santiago. Ao vivo, a emissora da comunidade cruza as paredes do hospital e traz para dentro daquele quarto a Santa Missa Dominical.
Naquele instante, o leito de dor se transforma em santuário. A voz do padre preenche o quarto, a liturgia acalma o peito cansado e a mensagem divina encontra o seu caminho mais certeiro.
Foi pelas ondas da Rádio Santiago que a palavra de conforto e a confiança em dias melhores abraçaram o coração de Dona Regina. A cada prece respondida em voz baixa, ela renovava o pacto com a vida. A fé, que nenhum vírus foi capaz de tocar, ali se agigantava .
Ao fim da transmissão, o espírito estava fortalecido. Regina tinha a certeza de que aquele inverno provacional iria passar; tinha a esperança que a cura bateria à porta daquele e de tantos outros leitos ocupados em nossa região.
Quadro após quadro, a respiração de Dona Regina foi ganhando amplitude. A saúde prevaleceu. Duas semanas depois daquela missa inesquecível, as portas do hospital se abriram para a sua alta, sob o acompanhamento emocionado do filho e o cuidado incansável dos profissionais de saúde.
A medicina trata o corpo, mas é a conexão com Deus, independentemente da religião, que sustenta a alma. Nos dias mais escuros, quando o distanciamento nos afastou das igrejas, a Rádio Santiago se fez instrumento. Tornou-se o canal por onde passa a palavra que acalenta e a fé que sustenta, permanecendo ao lado da nossa gente no momento em que a vida mais precisa de luz.
RÁDIO SANTIAGO 75 ANOS – A COMPANHEIRA DA SUA VIDA.
