Autor: Rafael Peronio Ramos
Intérprete: Paulo Pinheiro
Quarta-feira, 29 de novembro de 2017.
A distância geográfica é um pequeno detalhe para quem carrega o Rio Grande no sangue. Décadas atrás, assim como vários gaúchos que povoaram o centro-oeste do país, o Seu Cláudio e a Dona Márcia arrumaram as malas e deixaram Santiago para buscar a vida nas terras infindas do Mato Grosso.
Na bagagem, levaram o essencial: a cuia, a bomba e a sintonia da Rádio Santiago, que hoje viaja pela internet encurtando os milhares de quilômetros que os separam da querência amada.
É no chimarrão do dia a dia, no churrasco de domingo e no amor ao manto tricolor que a família se reencontra com as suas raízes pela sintonia da Rádio Santiago. Um gremismo de alma que Seu Cláudio fez questão de passar adiante para o filho Murilo.
Naquela noite de quarta-feira, a sala da casa deles no Mato Grosso virou um pedaço da Arena. Pai, mãe e filho dividiam o mesmo nervosismo, de ouvidos colados na pré-jornada monumental da Rádio Santiago em parceria com a Rádio Gaúcha, trazendo todo o clima da decisão da Libertadores 2017 diretamente da Argentina.
O ambiente era de guerra e desconfiança. Havia o fantasma da arbitragem do primeiro jogo em Porto Alegre, que teria sonegado um pênalti em cima de Jael. Mas o Grêmio queria passar por cima do Lanús, do apito e do adversário que houvesse. O tricolor queria libertar a América novamente.
Quando a bola rolou em La Fortaleza, o time comandado por Renato deu uma aula de como se portar em uma final.
No primeiro tempo, todos ouviam e viam o jovem Arthur fazer uma exibição impecável, absolutamente impecável, antes de sair lesionado. Aos 26 minutos, Fernandinho roubou a bola no campo de defesa, arrancou como um raio e soltou a bomba na rede argentina. Aos 41 minutos, a pintura definitiva: Luan recebeu pela esquerda, limpou dois marcadores com a frieza dos predestinados e, de cavadinha, marcou um gol antológico. No Mato Grosso, a família comemorava. No placar agregado, o tri da América estava muito perto.
O desconto do Lanús no segundo tempo não tirou a força do exército tricolor. O segundo tempo foi de raça, de segurar o ímpeto do time da casa e de morder o calcanhar em cada parte do gramado.
A voz emblemática de Pedro Ernesto Denardin ecoa pelos rádios: “Terminou Cáceres, apita Cáceres, apita Cáceres! Terminou!!! O Grêmio é tri Campeão da América!! Grêmio, Grêmio, Grêmio, o Grêmio é demaaais!!”
A noite não tinha fim. Pela sintonia da Santiago, as famílias da nossa região e a de Seu Cláudio acompanhavam em tempo real o zagueiro e capitão Pedro Geromel erguer a taça contra o céu argentino.
A transmissão ao vivo cruzava fronteiras. No vestiário, o repórter Duda Garbi entrava ao vivo entrevistando Luan e Kannemann em meio àquela loucura.
Na sala de conferências, os jogadores invadiam a coletiva e davam um banho de água e gelo no comandante. Extasiado, Renato Portaluppi decretava feriado na capital dos gaúchos para receber os campeões no dia seguinte. Aquele que deu, dentro de campo, a América e o Mundo ao Grêmio em 83, agora comandava o Tri da Libertadores da casamata, tornando-se o primeiro brasileiro a alcançar tal feito.
Muitos quilômetros ao norte, Seu Cláudio festejava com o filho Murilo, ouvindo a festa da torcida que o rádio trazia direto das ruas do Rio Grande do Sul e da Argentina para dentro daquela casa no Mato Grosso.
Naquela noite de novembro, as ondas da Rádio provaram que a distância é uma linha imaginária quando a paixão é de verdade. Vencer em solo argentino e reconquistar a América exige a alma dos imortais e o mais copeiro espírito.
Ao levar esse sentimento a cada tricolor e ouvinte, esteja ele em Santiago e região ou espalhado pelo Brasil, a Rádio Santiago alivia as saudades e mantém o nosso povo unido pela emoção. Pela terceira vez na sua história, o Grêmio pintava a América de azul, preto e branco, e através da Rádio Santiago o grito de campeão não encontrava fronteiras.
RÁDIO SANTIAGO 75 ANOS – A COMPANHEIRA DA SUA VIDA.
