Autor: Rafael Peronio Ramos
Intérprete: Paulo Pinheiro
Meio-dia de domingo, 22 de setembro de 2013.
A fumaça clara sobe mansa na divisa de Tupantuba com o Carovi, carregando o cheiro inconfundível da ponta de peito que pinga graxa na lenha de angico.
Ao redor da churrasqueira, o Seu Carlos, a Dona Jaqueline e os compadres ajeitam o almoço. Mas o espeto não gira sozinho. O galpão só fica completo quando o rádio, bem acomodado na ponta da mesa, traz o programa “Casereando”, no comando de Marco Antônio Nunes.
A quilômetros dali, nos estúdios da Rádio Santiago, Marco apresenta o programa do jeito que vive: pilchado de bota e bombacha, guaiaca, lenço vermelho no peito e sua tradicional boina. Para ele, o microfone da tradicionalíssima Rádio Santiago exige o respeito do traje de gala. Com um conhecimento de causa que poucos carregam na alma, e a autoridade de quem canetou dezenas de letras que correm festivais afora, ele ia fazendo um costado de primeira para o churrasco do Seu Carlos e de tantos outros ouvintes da emissora.
Entre uma marca e outra, o Marco fareja o ar pelo microfone e solta as suas “provocações”. Ele ia perguntando se a boia estava pronta, que logo ele estava largando da rádio. Foi o gancho perfeito. Rindo da intimidade do locutor, Seu Carlos pega o telefone e manda uma mensagem para a Rádio. Mais do que pedir uma milonga de fundamento, ele queria registrar a felicidade que a família guardava.
Dois dias antes, no Vinte de Setembro, eles haviam cruzado a Avenida Júlio de Castilhos a cavalo, orgulhosos em participar de um desfile farroupilha histórico, onde diversas entidades tradicionalistas se uniram para homenagear os 62 anos da Rádio Santiago.
No estúdio, ao abrir a mensagem, Marco Antônio Nunes solta seu sonoro e vibrante “Mas que tal” e manda aquele abraço louco de especial para a gauchada lá da divisa do Carovi, tocando a milonga logo em seguida, e fazendo a Dona Jaqueline e o Seu Carlos trocarem aquele olhar sincero de pertença.
“Ali, coquinho”.
A força da Rádio Santiago se consolida nessa troca diária com a sua gente. É a voz do comunicador que conhece as raízes do seu chão encontrando o homem do campo e da cidade naquele almoço de domingo.
Ao dar voz ao orgulho da nossa tradição e registrar a identidade da nossa terra através de suas ondas, a Rádio Santiago traduz a simplicidade e a grandeza de nosso interior fronteiriço. No estalar da lenha de angico e na cadência de uma milonga bem tocada, a nossa sintonia permanece sendo uma extensão cultural da Província de São Pedro, unindo o campo e a cidade na mesma mesa, ontem, hoje e em todos os domingos da nossa vida.
RÁDIO SANTIAGO 75 ANOS – A COMPANHEIRA DA SUA VIDA.
