Autor: Rafael Peronio Ramos
Intérprete: Paulo Pinheiro
Santiago, fim de tarde de sábado, 16 de dezembro de 2006.
O sol ainda castigava, quando os amigos Leonardo, Rogério e Mateus – colorados fanáticos – voltaram do açougue com o primeiro troféu do final de semana: aquele costelão treze ossos, o verdadeiro janelão, que precisou de três espetos pra ser domado na churrasqueira.
Logo depois das 18 horas, com o osso devidamente virado para a brasa, começa o ritual do costelão doze horas. Ninguém ali cogitava dormir. A angústia apertava o peito daqueles baita parceiros; eles passariam a madrugada inteira em claro, aguardando pela grande final do Mundial de Clubes, lá em Yokohama, no Japão.
Para regular a baixa e acalmar os nervos, o chope cremoso descia bem na manha. Entre uma espiada no fogo e uma rodada de conversa, os amigos viajavam no tempo, resgatando a saudosa década de setenta do colorado, os anos de ouro de Falcão, Figueroa e Carpegiani. Quem não só viajava no tempo, como encurtava a distância até o Japão, era a companheira de todas as horas: a nossa Rádio Santiago.
Conectada à Rede Gaúcha Sat, a emissora da comunidade transformou aquela vigília em uma pré-jornada colossal. Direto da terra onde o sol nasce primeiro, o rádio trazia o depoimento de ex-jogadores, análises de bastidores das prováveis escalações e mensagens comoventes de familiares dos atletas.
A cada nova história contada no rádio, os amigos aumentavam a expectativa. A ansiedade aflorava, mas na sintonia do rádio e na presença da amizade, eles descobriam que milhares de corações vermelhos estavam na mesma batida, conectados.
Às seis da manhã de domingo, dia 17 de dezembro, o dia do jogo, a costela finalmente estava pronta; o osso soltava sozinho. A carne desmanchava no garfo. Mas o prato principal ainda estava por vir. De repente, a introdução instrumental épica da jornada esportiva invade o ambiente. A decisão começa.
Foram mais de oitenta minutos de uma tensão quase insuportável. Do outro lado, o poderoso Barcelona de Deco, Puyol e Ronaldinho Gaúcho rodava com a bola, mas esbarrava em uma muralha comandada por Clemer, Índio, Ceará, e um inesquecível espírito coletivo.
No tempo e placar do futebol, temos trinta e seis minutos do segundo tempo de partida. Iarley limpa a jogada, e o antes contestado Adriano Gabiru chuta para a glória eterna, vencendo o goleiro Valdés. O narrador Pedro Ernesto Denardin repetia efusivamente: “O Inter vai ser campeão do mundo; O Inter vai ser campeão do mundo!”.
Não tinha Barcelona que parasse o time armado por Abel Braga e montado por Fernando Carvalho. O mundo era do Inter.
A emoção que tomou conta da casa onde estavam os amigos Leonardo, Rogério e Mateus foi a mesma que arrastou Santiago para as ruas, num domingo onde os termômetros derretiam com os quarenta graus de sensação térmica.
Enquanto o eterno ídolo Fernandão erguia a taça e, logo depois, decretava aos microfones: – Que o Gigante me espere para começar a festa -, Santiago já estava tomada pelas cores vermelha e branca.
O Gigante da Beira-Rio esperou seus ídolos para a grande festa. No dia 19 de dezembro de 2006, as ondas da Santiago transmitiram esse emocionante encontro entre os campeões do mundo e o seu povo.
Em mais de 117 anos de glórias do Sport Club Internacional, o antes, o durante e o depois do capítulo mais alto de sua história foi trazido ao vivo, na hora e em detalhes, diretamente do Japão e do Gigante da Beira-Rio, para a nação colorada e para todos os ouvintes da Santiago.
RÁDIO SANTIAGO 75 ANOS – A COMPANHEIRA DA SUA VIDA.
