A cesta básica em Santiago registrou um aumento expressivo entre março e maio de 2026, alcançando o valor de R$ 896,09. O montante representa uma alta acumulada de 22,11% em apenas dois meses e coloca o município acima de Porto Alegre, onde o custo da cesta atingiu R$ 870,62 no mesmo período.
Os dados integram a pesquisa mensal desenvolvida pelo Curso de Administração da URI Câmpus de Santiago. O levantamento é realizado por Isadora Pretto Reis, bolsista do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIIC/URI), sob orientação do Professor Marcos Vinicios M. Machado.
De acordo com a pesquisa, a elevação dos preços foi impulsionada principalmente pela carne bovina, tomate e batata. A carne passou de R$ 47,35 para R$ 58,30 o quilo entre março e maio, acumulando alta de 23,02% e respondendo sozinha por 44,4% do aumento total da cesta básica. Já o tomate registrou elevação de 70,14%, passando de R$ 6,43 para R$ 10,94 o quilo, enquanto a batata apresentou a maior variação, com aumento de 112,05%, saltando de R$ 3,86 para R$ 8,18 o quilo.
Somados, esses três produtos foram responsáveis por aproximadamente 82,8% da alta observada no período, demonstrando que o avanço dos preços esteve concentrado em itens essenciais da alimentação das famílias.
Por outro lado, alguns produtos apresentaram redução de preços. A farinha de trigo registrou queda de 8%, seguida pelo arroz, com redução de 7%. Feijão e açúcar apresentaram recuo de 1%. Entre os itens com menor variação, destacam-se o café e a manteiga, ambos com aumento de 2%, além do óleo de soja, com alta de 3%.
Especialistas associam esse comportamento a fatores como instabilidade climática, redução da oferta e dificuldades logísticas, especialmente nos produtos hortifrutigranjeiros. O cenário acompanha uma tendência observada em âmbito nacional, conforme apontamentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
Impacto direto no poder de compra
O aumento da cesta básica refletiu diretamente no orçamento dos trabalhadores. Considerando o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00, o tempo necessário para adquirir a cesta básica em Santiago passou de 99 horas e 36 minutos de trabalho em março para 121 horas e 37 minutos em maio.
Na prática, isso significa um acréscimo de aproximadamente 22 horas de trabalho para garantir a mesma alimentação básica. A parcela da renda comprometida com a cesta também aumentou significativamente, passando de 45,27% para 55,28% do salário bruto. Quando considerado o salário líquido, o comprometimento aproxima-se de 60%.
O indicador também supera a média nacional registrada em maio, estimada em cerca de 105 horas e 50 minutos de trabalho para aquisição da cesta básica.
Salário mínimo necessário ultrapassaria R$ 7,5 mil
Outro dado que chama atenção é a estimativa do salário mínimo necessário para atender às necessidades básicas de uma família de quatro pessoas. Com base na metodologia utilizada pelo DIEESE, o valor correspondente para Santiago seria de aproximadamente R$ 7.528,00.
O montante representa mais de quatro vezes o salário mínimo atual, evidenciando a distância entre a renda disponível para grande parte da população e o custo necessário para garantir condições adequadas de subsistência.
Cenário exige atenção
O levantamento reforça a preocupação com os impactos da inflação dos alimentos sobre as famílias de menor renda, que destinam parcela significativa do orçamento à alimentação. Como os aumentos estão concentrados em produtos essenciais e de difícil substituição, a capacidade de adaptação do consumo torna-se reduzida, ampliando a vulnerabilidade econômica e social.
A pesquisa também destaca a importância do acompanhamento contínuo dos preços e da formulação de políticas voltadas à segurança alimentar, especialmente em períodos marcados por instabilidade climática e oscilações na produção agrícola.
A pesquisa completa está disponível no arquivo anexo abaixo.
Fonte: Emanuely Guterres Soares com informações do Curso de Administração
