Dados levantados por Isadora Pretto Reis, bolsista do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIIC/URI), sob orientação do professor Marcos Vinicios M. Machado, do Curso de Administração da URI Câmpus de Santiago, apontam que o custo da cesta básica no município apresentou queda de 3,04% entre maio e junho de 2026.
O valor passou de R$ 887,82 para R$ 860,89, representando uma redução de R$ 26,93. Conforme o levantamento, a diminuição proporciona um alívio no orçamento dos trabalhadores e contribui, ainda que de forma modesta, para a recuperação do poder de compra das famílias.
Apesar do recuo registrado em junho, o balanço do primeiro semestre mostra que o custo da alimentação básica segue elevado. Em janeiro, a cesta custava R$ 694,23. Em junho, o valor chegou a R$ 860,89, acumulando alta de 24,01%, o equivalente a R$ 166,66 a mais por mês.
Entre os produtos que apresentaram aumento de preço em junho, a batata inglesa liderou a alta, passando de R$ 6,81 para R$ 7,84 o quilo, uma variação de 15,1%. O feijão também registrou aumento significativo, de R$ 5,96 para R$ 6,59 o quilo (+10,6%), seguido pelo tomate, que passou de R$ 10,47 para R$ 11,15 o quilo (+6,5%). O leite teve alta de 0,8%, passando de R$ 5,11 para R$ 5,15 o litro, enquanto a manteiga variou de R$ 12,85 para R$ 12,86 (+0,1%).
No acumulado do primeiro semestre, os maiores aumentos foram registrados na batata inglesa (153%), no tomate (99%) e no leite (43%), produtos que exerceram maior pressão sobre o custo da alimentação e que são culturalmente produtos básicos na alimentação dos brasileiros.
Por outro lado, diversos itens apresentaram redução de preço em junho:
Café: de R$ 66,44 para R$ 59,34/kg (-10,7%);
Óleo de soja: de R$ 10,00 para R$ 9,24 (-7,6%);
Farinha de trigo: de R$ 5,28 para R$ 5,03/kg (-4,7%);
Carne bovina: de R$ 58,29 para R$ 54,12/kg (-7,2%);
Banana caturra: de R$ 6,48 para R$ 6,18/kg (-4,6%);
Pão francês: de R$ 13,43 para R$ 12,69/kg (-5,5%);
Açúcar: de R$ 4,74 para R$ 4,47/kg (-5,7%);
Arroz: de R$ 4,88 para R$ 4,84/kg (-0,8%).
Embora o café tenha registrado a maior redução percentual, a queda da carne bovina teve maior impacto no orçamento das famílias. O gasto mensal com o produto passou de R$ 384,74 para R$ 357,20, gerando economia de R$ 27,54, valor que praticamente explica toda a redução observada no custo total da cesta básica no período.
No acumulado do semestre, as maiores quedas de preços foram observadas no café (-7,93%), no óleo (-7,25%) e no açúcar (-2,02%), contribuindo para amenizar parte da pressão provocada pelos aumentos registrados em outros alimentos.
O levantamento também aponta que o Salário Mínimo Necessário (SMN), calculado conforme metodologia do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), foi estimado em R$ 7.231,92 em junho para uma família de Santiago. O valor é R$ 226,22 inferior ao estimado em maio, acompanhando a redução da cesta básica. Ainda assim, o montante corresponde a aproximadamente 4,46 vezes o salário mínimo oficial, fixado em R$ 1.621,00.
Considerando uma jornada mensal de 220 horas, um trabalhador que recebe um salário mínimo precisaria trabalhar cerca de 116 horas e 48 minutos para adquirir a cesta básica.
De acordo com a análise, o resultado de junho pode ser considerado favorável para os trabalhadores santiaguenses. Mesmo com aumentos expressivos em produtos como batata, feijão e tomate, as reduções verificadas em itens de maior peso no orçamento familiar, especialmente carne bovina, café, pão francês e óleo de soja, foram suficientes para compensar essas altas.
Ainda assim, o estudo destaca que a diferença entre o salário mínimo oficial e o salário mínimo necessário evidencia que o trabalhador de Santiago continua enfrentando forte restrição orçamentária, uma vez que a alimentação básica ainda consome parcela significativa da renda mensal.
A pesquisa completa sobre a evolução dos preços dos produtos da cesta básica em Santiago/RS no primeiro semestre de 2026 está disponível no anexo abaixo.
Fonte: Andressa Marin com informações do Curso de Administração