Texto: jornalista Ieda Beltrão
O mês de março é voltado as mulheres que por muitos ainda é considerado o sexo frágil. Muito bem! Então a mulher é considerada o sexo frágil? Ou melhor, são educadamente chamadas de ‘sexo frágil’ e isso não é uma ofensa, muito pelo contrário, é uma forma de proteção, denominação delicada sem a pretensão de ofender.
Vamos ver então porque a mulher é o sexo frágil? Talvez pelos anos de total submissão aos mais cruéis julgamentos, sem voz e sem vontade (e em muitos países essa ditadura continua). Ou seria porque não temos a mesma força física de um homem? Alguém pode responder? É porque gostamos de poesia? De arte? De rosa?
Não? Mas talvez seja pelas mãos enrugadas, pele queimada de sol, braços robustos daquelas que fazem da enxada seu instrumento de trabalho, do facão, da foice, das próprias mãos o sustento de uma família. Guerreiras de unhas quebradas, de olhar cansado, que lenha, cavalga, que faz da lida do campo sua rotina diária?
Que mulher frágil é essa que cozinha, que alimenta, que planta, que colhe, que levanta peso, que sente dor, mas nem por isso desiste da caminhada?
Frágil a advogada, a juíza, a promotora, a política, a executiva que tem nas palavras, na ponta da caneta, na mente, no poder da consciência o destino de milhares de pessoas?
Frágil a médica, a enfermeira, a veterinária, dentista, cientista e tantas que escolheram salvar vidas através da medicina? Poderosas mulheres que muitas vezes têm nas mãos a vida ou a morte no bailado perigoso da fina linha da existência.
Quem pode dizer que a professora é frágil? Alguém pode traduzir o significado dessa profissional, desse anjo que ensina todas as profissões, que te coloca palavras na boca, te ensina a descobrir o mundo? Não precisamos nem falar da luta dessas mulheres para continuar a dura missão de ensinar. Podemos sim afirmar, não existe espaço para gente frágil nessa profissão!
A dona de casa que alimenta, a doméstica que limpa, cuida, zela pela casa. Mecânicas, eletricistas, taxistas, caminhoneiras, seguranças, cozinheiras, lavadeiras, secretárias, vendedoras, babás, modelos, atletas, publicitárias… São frágeis essas mulheres?
É frágil a jornalista? A atriz? A escritora? Elas despertam sonhos, contam histórias, acalmam a dor, alegram a alma, fazem sonhar.
Sexo frágil? A policial, a agente penitenciária, a militar que enfrenta todos os dias os horrores da violência sem medo, sem titubear diante do fogo perigoso de um disparo, ou no corte preciso de uma faca.
Como dizer que é frágil a mulher que sustenta uma casa, que cria seus filhos sozinha. Quem pode dimensionar a fragilidade de uma mulher que luta ferozmente contra uma doença, contra a dor de um espancamento, a tortura de um estupro, a crueldade da exploração sexual? Pensam que elas são frágeis? Não, elas são fortes, elas são mães que perdem seus filhos, maridos e mesmo assim continuam a lutar como feras para continuar a missão de viver.
Alguém pode dizer que uma mãe que perde um filho é frágil? Como ela pode suportar tamanha dor, se ela nasceu para ser mãe, se essa é sua maior missão, se o seu maior amor é dado ao filho? E ela suporta, ela segue em frente, ela não esquece, mas nem por isso se entrega. Ao contrário, acarinha quem fica, mostra o caminho e junto segue a estrada.
Mulher frágil? Onde? Frágil só se for na aparência, nas feições delicadas, nos gestos macios, no olhar carinhoso, no corpo cheio de contornos.
Nunca diga que uma mulher é frágil. Elas são doces na medida certa, ferozes na medida certa. Nada as faz recuar. Nem mesmo a violência que sofrem todos os dias (no Brasil, a cada hora 10 mulheres sofrem algum tipo de agressão). A resposta é cada vez mais força, mais espaço, mais astúcia e a certeza de que o mundo não tem espaço para covardes, mas sim para gente corajosa, respeitosa e inteligente.
A fragilidade de uma mulher é na verdade sua maior e mais poderosa força.
