O custo da cesta básica em Santiago (RS) registrou aumento entre janeiro e fevereiro de 2026, impactando diretamente o orçamento das famílias trabalhadoras do município. O valor do conjunto de 13 produtos alimentícios passou de R$ 694,23 para R$ 738,03, o que representa uma alta de 6,3% no período. Os dados são de um levantamento realizado por Isadora Pretto Reis, bolsista do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIIC/URI), sob orientação do professor Marcos Vinicios M. Machado, do curso de Administração da URI Santiago.
O aumento recente reforça a pressão sobre o custo de vida local. Considerando o salário mínimo nacional de R$ 1.621, a cesta básica em Santiago já representa cerca de 45% da renda mensal de um trabalhador que recebe o piso nacional, sem considerar outras despesas essenciais, como moradia, transporte, saúde e educação.
Entre os produtos analisados, a carne foi a principal responsável pela alta da cesta básica, registrando aumento de aproximadamente 13,9%, passando de R$ 45,63 para R$ 51,98 por quilo.
Outros itens importantes da alimentação também apresentaram aumento significativo. O pão francês subiu cerca de 10%, enquanto o café registrou alta próxima de 6,6%. Como esses produtos possuem forte presença no consumo diário das famílias, qualquer variação acaba influenciando diretamente o custo total da cesta. Também tiveram aumentos mais moderados produtos como arroz, leite, manteiga e farinha de trigo, que contribuíram para a elevação geral dos preços no período analisado.
No entanto, alguns produtos apresentaram redução de preço entre janeiro e fevereiro. A banana caturra registrou a maior queda (-8,1%), seguida pela batata inglesa (-4,2%) e pelo feijão (-3,4%). Também tiveram pequenas reduções o tomate, o óleo de soja e o açúcar. Entretanto, essas quedas não foram suficientes para compensar a elevação dos itens de maior peso no consumo alimentar.
Mesmo com o aumento registrado no mês, o custo da cesta básica em Santiago permanece abaixo do observado em grandes centros urbanos. Em Porto Alegre, por exemplo, o valor da cesta básica gira em torno de R$ 786, cerca de R$ 48 a mais do que o registrado no município santiaguense. Nas principais capitais do país, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, os valores costumam ser ainda mais elevados, refletindo diferenças no custo de vida, logística de abastecimento e estrutura de mercado.
Especialistas apontam que o aumento dos alimentos básicos têm impacto direto no poder de compra da população. Para famílias que dependem de rendas mais baixas, a alimentação costuma representar uma das maiores parcelas do orçamento doméstico.
Com base no custo da cesta básica local, estima-se que um salário mínimo próximo de R$ 2,1 mil seria necessário para cobrir apenas as despesas com alimentação de uma família em Santiago. Caso sejam consideradas também outras despesas essenciais previstas na Constituição, como moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene e lazer, o salário mínimo necessário (SMN) seria de aproximadamente R$ 6.200,00.
Mesmo com custo de vida menor do que em capitais, o avanço dos preços dos alimentos em Santiago reforça a importância do acompanhamento mensal da cesta básica, indicador que reflete diretamente as condições de vida e o poder de compra do trabalhador local.
